Durante muito tempo, as empresas concentraram suas estratégias de sustentabilidade em campanhas de conscientização. Comunicados internos, treinamentos sobre impacto ambiental, semanas temáticas de ESG e materiais educativos passaram a integrar a rotina corporativa. No entanto, essas iniciativas nem sempre foram suficientes para promover mudanças duradouras de comportamento entre os colaboradores.
Cada vez mais, organizações percebem que o desafio da sustentabilidade corporativa vai além da informação e envolve diretamente comportamento e engajamento contínuo.
Nos últimos anos, estudos relacionados à economia comportamental ganharam espaço nesse debate ao demonstrar como incentivos, recompensas, reconhecimento social e estímulos frequentes influenciam decisões cotidianas. A percepção que começa a se consolidar no ambiente corporativo é de que apenas informar dificilmente transforma hábitos de forma consistente.
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, aponta em relatório sobre comportamento sustentável que ações baseadas exclusivamente em informação tendem a ter alcance limitado quando não existem incentivos concretos capazes de sustentar mudanças contínuas.
Pesquisas da Gallup também mostram que profissionais se envolvem mais quando percebem impacto direto, reconhecimento e conexão prática entre o discurso institucional e a experiência vivida no trabalho.
Esse cenário se tornou evidente principalmente em programas corporativos ligados à mobilidade sustentável. Diversas empresas lançaram campanhas para incentivar o uso de bicicletas, caronas compartilhadas e transporte coletivo, mas observaram queda significativa de participação poucas semanas depois. Em muitos casos, a dificuldade não estava na comunicação, mas na ausência de mecanismos contínuos de incentivo.
O formato tradicional das campanhas ESG costuma seguir um padrão: lançamento interno, ações de comunicação, uma primeira mobilização e, gradualmente, perda de adesão. Sem reforço frequente, os antigos hábitos tendem a retornar rapidamente.
A dificuldade ocorre porque comportamentos cotidianos são complexos de modificar apenas com conscientização racional. O deslocamento diário até o trabalho, por exemplo, envolve fatores como conforto, segurança, tempo, previsibilidade, rotina familiar e custo. Esperar mudanças apenas pelo alinhamento às metas ambientais da empresa normalmente resulta em baixa adesão no médio prazo.
A sustentabilidade corporativa passou muito tempo tentando gerar transformação apenas por meio do discurso. Hábitos recorrentes dependem de estímulo constante, reconhecimento e percepção clara de benefício individual.
Um dos principais equívocos das empresas foi tratar ESG como uma campanha institucional, e não como um sistema contínuo de engajamento. Mudanças de rotina acontecem quando há feedback recorrente, incentivos tangíveis e reconhecimento ligado ao comportamento adotado.
A entrada da Geração Z no mercado de trabalho também fortaleceu esse movimento. Pesquisas de employer branding indicam que profissionais mais jovens valorizam coerência entre o posicionamento ambiental da empresa e a experiência prática oferecida no dia a dia. Benefícios e programas que geram impacto perceptível passaram a ter mais relevância do que campanhas genéricas de conscientização.
Na prática, isso representa uma mudança na lógica do ESG corporativo, que deixa de estar centrado apenas na comunicação e passa a focar na experiência do colaborador.
Durante anos, muitas empresas investiram em discursos sobre sustentabilidade enquanto mantinham benefícios, processos e rotinas pouco conectados a esse posicionamento. Isso contribuiu para uma percepção crescente de incoerência entre a narrativa institucional e a operação cotidiana.
Esse contexto ajuda a explicar por que diversas iniciativas ESG apresentam forte adesão inicial, mas pouca continuidade ao longo do tempo. Sem mecanismos de reforço comportamental, reconhecimento ou retorno percebido pelos colaboradores, a sustentabilidade acaba sendo vista apenas como mais uma campanha temporária.
Nesse cenário, plataformas baseadas em gamificação, incentivos e feedback contínuo começam a ganhar espaço nas estratégias corporativas de ESG.
O desafio não está apenas em calcular emissões de carbono, mas em desenvolver mecanismos que integrem a sustentabilidade à rotina dos profissionais sem depender exclusivamente de campanhas institucionais.
O movimento também vem ampliando a participação das áreas de RH na agenda ESG. Setores de People & Culture começam a assumir protagonismo em temas ligados à experiência do colaborador, engajamento climático e comportamento organizacional. Assim, sustentabilidade deixa de ser responsabilidade exclusiva das áreas ambientais e passa a depender diretamente da cultura corporativa e da estrutura de incentivos adotada pelas empresas.
Com isso, o mercado começa a compreender que sustentabilidade corporativa não depende apenas de consciência ambiental, mas também da construção de mecanismos capazes de influenciar comportamento e engajamento de forma contínua.
Diante desse novo cenário, em que o ESG deixa de ser apenas discurso institucional para se tornar parte da experiência diária dos colaboradores, iniciativas voltadas à capacitação, cultura organizacional e desenvolvimento humano ganham ainda mais relevância dentro das empresas.
O Instituto Bertol atua justamente nesse contexto, promovendo conhecimento, qualificação e debates estratégicos sobre gestão corporativa, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento organizacional. Por meio de cursos, conteúdos informativos e treinamentos, o instituto contribui para que empresas fortaleçam práticas alinhadas às novas demandas do mercado, incentivando ambientes corporativos mais conscientes, engajados e preparados para os desafios da agenda ESG.
Além da formação profissional, o Instituto Bertol também se consolida como um espaço de conexão entre empresas, lideranças e profissionais que buscam construir culturas organizacionais mais modernas, humanas e sustentáveis, fortalecendo o papel da educação e do engajamento contínuo na transformação corporativa.
Fonte: valor.globo.com